sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ninguém pode cobrá-la pela doçura perdida...




Pela expressão distante, quase embrutecida...

Nem pela tristeza dolorida resultante da história que antecedeu aquele desfecho tão esperado, que não aconteceu. Pelas lágrimas que não derrama mais, ou pelo sorriso que morreu em seu rosto, desde o instante em que soube que ele não era mais seu. E ainda assim, ele pensa que pode acusá-la pelo gelo em que se transformou? Não! Ele não pode! Ninguém pode...Ou será que ele não percebeu o quanto ela se deu em sentimentos? Como confiou, esperou e entregou-lhe tudo antes mesmo de entender que aquela fatia de felicidade sequer poderia ser sua? Que não lhe pertencia? Quem sabe se ele pedisse, ela tentasse ainda... Quem sabe, se ele quisesse, ela esperasse mais! Quem sabe ainda o carregasse inteiro e perfeito dentro do peito, afinal, ela era muito mais dele do que dela mesma. E disso também, ele sabia...Mas será que em algum momento, ele soube que ela passou para as suas mãos, naquele diálogo de almas, toda a esperança que ainda vivia dentro do seu coração e que havia sobrevivido à todas as tempestades? Será que ele olhou pra dentro daqueles olhos brilhantes e viu neles o sorriso pleno que ela carregava e, que se sorria, era por ele? Será que realmente se importava? Não...Ele nem olhou prá trás prá ver que aquele dia tão pesado que ela carrega como fardo ainda, a noite fria que não finda e o vazio que hoje ela é, formaram-se depois que ele cansou-se de amá-la. Depois que ele, despudoradamente, ignorou o que ela possuía de mais sagrado e entregou-lhe, sem titubear: a sua fé! Não, ninguém pode culpá-la! Não por isso, afinal, ela perdeu junto com esse amor, o jeito meigo e a crença na vida, que trazia. A pureza com que ria. Mas se ele não a amava, que diferença isso fazia? Quem sabe ela não tenha tido coragem suficiente prá gritar e contendo-se, esperou por ele? Quem sabe se ela tivesse descido do salto, lançado um berro, alto, cobrando o cuidado que ela jurava que merecia ou pedindo a clareza que a certeza dele nunca expressou. Se tivesse exigido que ele lhe olhasse nos olhos e que acreditasse apenas nos seus olhos, talvez agora ela ainda estivesse inteira....

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